Mulher das Estrelas


O dia da Mudança!

Oi pessoal,

o tão esperado dia chegou! estou mudando o blog para o blogspot. Espero que vocês cliquem aqui e salvem o endereço entre os seus favoritos. Avisem aos seus amigos, passem o link adiante, a Mulher das Estrelas agradece : http://mulher-das-estrelas.blogspot.com/



Escrito por duilia às 21h11
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GANHEI tempo no Hubble!

Eram umas 3 horas da tarde quando meu amigo Steve, que trabalha na Nasa também, passou na minha sala e me perguntou se eu tinha recebido algum email do Hubble sobre os projetos que enviamos em fevereiro. Mas eu estava no meio de um outro projeto que estou para enviar para observar com o Gemini no Chile e não tinha olhado email por algumas horas (raríssimo este fato...). O Steve ainda estava na sala quando abri meus emails e me deparei com três emails vindo do instituto do Hubble. Quando abri o primeiro comecei a gritar, o Steve logo entendeu que tinha sido positiva a resposta. Aí abri o segundo e novamente comecei a gritar! Mas o terceiro não passou e fiz cara de triste... Mas 2 de um total de 3 projetos tá ÓTIMO! quero deixar claro que não sou a investigadora principal destes projetos, somos um time de investigadores de várias instituições trabalhando juntos. Os meus colaboradores, Harry e Brian, são de Caltech e foram eles que coordenaram os projetos desta vez.

Muitos ficaram curiosos sobre os tópicos de projeto que enviamos e eu disse que era segredo, bem agora já posso contar!!! Como vocês devem se lembrar, a câmera ACS do Hubble pifou bem no dia seguinte que enviamos os projetos, pois é, mas a sortudo aqui tinha enviado 2 projetos (estes que foram aprovados) para usar o detetor da ACS que ainda funciona! este detetor, chamado SBC (solar blind channel) capta apenas a luz ultravioleta - passou um fóton ultravioleta por lá ele detecta! Um dos projetos é para investigar a luz ultravioleta que vem de objetos no universo distante - que estão há uns 10 bilhões de anos luz. Queremos saber a eficiência com que a luz ultravioleta emerge das galáxias, ou seja, qual a influência da poeira no caminho do fóton. O outro projeto é parecido mas para objetos um pouco mais próximos. Esta área de pesquisa é muito importante porque não sabemos se o que vemos nos confins do universo é realmente representativo ou se a poeira está escondendo muita coisa.

O projeto que não passou era para observar umas galáxias com surto de formação estelar. Mas tivemos que adaptar o projeto para a velha câmera WFPC2 já que os detetores da ACS que precisávamos não está funcionando. Quando fizemos isto tivemos que mudar de galáxias porque elas não cabiam na câmera... nesta mudança perdemos um pouco o rumo e o projeto ficou sem uma boa justificativa científica.

Bem, chega de comemorar, hoje tenho que trabalhar no projeto do Gemini...

Para quem não se lembra aonde fica o ultravioleta na onda eletromagnética:

Raios Gama, Raios X, Ultravioleta, Visível, Infravermelho, Rádio

(altas energias -> baixas energias)

(pequenos comprimentos de ondas -> grandes comprimentos de onda)



Escrito por duilia às 10h03
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Ainda falando de observações no Chile, sugeriram nos comentários que eu colocasse um vídeo que foi feito durante uma noite inteira de observação do VLT no Paranal. Não sei dar detalhes sobre como o filme foi feito, uma hora destas vou ler e coloco aqui também, mas por enquanto cliquem no youtube abaixo e apreciem as belezas do céu chileno visto com o VLT.



Escrito por duilia às 20h07
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Céu escuro!

Sempre me perguntam qual o céu mais escuro e bonito que já vi. Hoje, então, resolvi escrever sobre um lugar muito especial no planeta, o Deserto do Atacama no Chile. É lá que se encontram os telescópios mais importantes do hemisfério sul (e entre os melhores do mundo) e o céu mais valioso também. São 5 observatórios de grande porte, dois Europeu (ESO - la Silla e VLT) e três americanos (CTIO, Gemini e las Campanas).

O ESO tem dois observatórios, um na montanha de la Silla aonde fiz a maior parte das minhas observações e aonde descobri a tal supernova, e um no cerro Paranal, aonde se encontram os 4 gigantes VLTs (very large telescope, cada um de 8 metros).

Os americanos têm o Cerro Tololo, o Cerro Pachon, e las Campanas. Eu trabalhei por um ano no Tololo logo depois que defendi minha tese de doutorado e naquela época estavam construindo um telescópio internacional, o Gemini (8m de diâmetro), no Cerro Pachon que fica ao lado. No Cerro Pachon está também o telescópio SOAR do qual o Brasil faz parte também. O Brasil tem também acesso ao Gemini (o projeto Gemini tem também um outro telescópio de 8m que fica no Havaí na Montanha Mauna Kea). O CTIO pertence a um conglomerado de universidades americanas e é administrado pelo NOAO que também tem o Kitt Peak, um observatório no deserto do Arizona nos EUA. Em Las Campanas que pertence a fundação Carnegie, está um telescópio de 6m de diâmetro, o Magellan. 

Resumindo:

E quem usa estes telescópios? a comunidade internacional, mas sempre ajuda ter algum membro no projeto que seja parte do consórcio que gerencia o telescópio. Por exemplo, no lado europeu, ajuda ter um europeu dos países que pagaram pela construção dos telescópios e que pagam pela manutenção dos mesmos (Bélgica, Dinamarca, França, Finlândia, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Suiça e Reino Unido).

Detalhe: Os chilenos têm 10% em todos os telescópios em solo chileno!

Por que o Chile? porque os Andes chilenos tem montanhas secas e altas, além de céu escuro e sem poluição. Ou seja, todas as condições necessárias para uma boa observação, sem interferência da atmosfera e de luzes, mas claro que até no Chile fica nublado de vez enquando...

Céu escuro é assim, sem muito esforço dá pra ver até as Nuvens de Magalhães. Cúpula do CTIO 4 m - foto do Roger Smith/NOAO/AURA/NSF. Mais info sobre esta foto aqui http://www.noao.edu/image_gallery/html/im0081.html.

Outro dia escreverei sobre o projeto ALMA - um conjunto de 64 antenas que está sendo construído no topo do deserto do Atacama



Escrito por duilia às 09h18
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Futebol, Música e Exploração Espacial

Voltei do sufoco, mas ainda estou meio enrolada... Deixo um textinho do livro para vocês se divertirem com a Duília adolescente...

Sempre fui fascinada pelos planetas apesar de nunca ter dedicado muito tempo da minha carreira a estudá-los. Mas foram as imagens dos planetas tiradas com as sondas espaciais Pioneers 10 e 11 em meados  dos anos 70 que me motivaram a estudar astronomia. Eu era adolescente e tinha apenas 3 grandes paixões na vida: futebol, música e exploração espacial. Escrevia em todos os meus cadernos os nomes dos meus favoritos: Flamengo, Peter Frampton e Pioneer 11. Eu tinha até me esquecido disto quando meu velho amigo de infância, Márcio, me perguntou outro dia se eu ainda era fã da Pioneer. Já se passaram quase 30 anos e ele ainda se lembra disto?! Acho que é porque eram mesmo poucas as meninas que falavam sobre as últimas imagens da Pioneer 11 dentro dos ônibus lotados do subúrbio carioca que dividia com Márcio e outros estudantes de cursinhos preparatórios nos fins dos anos 70. Naquela época eram muito limitadas as informações que recebíamos sobre a exploração espacial. Não havia internet e tudo que sabíamos vinha de revistas, jornais e um pouco da televisão. Na escola se falava muito pouco sobre o assunto também. Me lembro de uma revista Manchete que tinha as últimas imagens das sondas onde li com curiosidade todos os detalhes. Gostaria de ter guardado aquele exemplar e até acho que guardei mas que foi destruído em um ataque de cupim no meu armário no início dos anos 80. O que mais me chamava a atenção eram os detalhes das imagens e a tecnologia envolvida na transmissão das mesmas.  Nunca me canso de ver as belezas do sistema solar. Mas quando tive que optar pela área da astronomia, decidi que queria estudar galáxias, objetos longíquos e que os planetas estavam muito próximos. Hoje vejo com olhos diferentes e se fosse começar novamente provavelmente optaria pelos planetas do sistema solar e pela busca de outros sistemas planetários. Não que esteja cansada das galáxias, apenas um pouco menos especuladora, talvez fruto da crise de meia-idade.

As sondas espaciais Pioneer 10 e 11 foram lançadas pela Nasa em 2 de março de 1972 e 5 de abril de 1973 com a missão de explorar os planetas Júpiter e Saturno. Pioneer 10 enviou suas primeiras imagens de Júpiter no dia 3 de dezembro de 1973 e a Pioneer 11 no dia 2 de dezembro de 1974.



Escrito por duilia às 23h19
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Fora do ar até quinta-feira

Oi pessoal, estarei offline por uns dias. Nem sei se vou ter tempo para email. Estarei a trabalho em Washington, DC, participando de uma reunião da Fundação Nacional de Ciências. Enquanto isto podem me encher de recadinhos!!

Ah, perguntaram sobre os resultados daqueles projetos que mandei para o Hubble, a reunião para avaliar os projetos é esta semana!! cruzem os dedos, mas só ficaremos sabendo em abril.

E deixo de presente para vocês a Astronomy Picture of the Day (APOD) de sexta-feira http://antwrp.gsfc.nasa.gov/apod/ap070316.html Saturno passando pela Lua (by Pete Lawrence). E para quem nunca ouviu falar na APOD, todos os dias um grupo de astrônomos da Nasa seleciona uma foto marcante para embelezar nossas telas de computadores, vale a pena conferir.



Escrito por duilia às 10h30
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Pesquisando, analisando, batalhando

Ainda não deu para blogar esta semana... muita correria no trabalho. Por falar em trabalho, meu amigo João, que faz pós-doutorado em astrofísica na Universidade Johns Hopkins aqui em Baltimore, sugeriu que eu escrevesse um pouco mais sobre o trabalho que fazemos, como é a nossa rotina. Ele acha que muitos têm uma idéia errada do tipo de trabalho que fazemos e ficam iludidos achando que vivemos olhando no telescópio. Ele tem razão, realmente as pessoas não entendem bem o que fazemos. Minha mãe ainda acha que sou estudante, mas já sou doutora em astrofísica há mais de 10 anos!! a última vez que tive que estudar para fazer uma prova foi há 12 anos atrás... O que ela chama de estudo é o que nós chamamos de pesquisa. Os cientistas são pesquisadores, devotam boa parte do tempo aos estudos profundos dos temas que estão investigando. No meu caso, como sou especialista em evolução de galáxias, passo o tempo todo tentando entender como as galáxias se formam e se transformam durante os mais de 10 bilhões de anos de vida.  Para isto escrevo projetos propondo responder a questões ainda sem soluções. Estes projetos são executados em 5 etapas:

  • a primeira é a seleção dos objetos a serem observados,
  • a segunda é a obtenção dos dados que pode ser feita através de observações ou pesquisas em arquivos de dados,
  • a terceira é o que chamamos de redução de dados e é uma das mais longas das etapas. Durante esta etapa realizamos calibração dos dados e transformação deles em unidades astronômicas como fluxo, energia, densidade. São muitas horas/dias/meses de computação até conseguirmos produzir imagens boas.
  • a quarta etapa é a análise dos dados, aonde através de gráficos e outras ferramentas analisamos o que foi encontrado,
  • a quinta e última etapa é a apresentação destes resultados em conferências e a publicação de artigos resumindo os resultados e descrevendo o projeto em revistas especializadas. Mas antes de encerrar o projeto temos que responder às perguntas do revisor da revista que vai criticar o trabalho e avaliar se merece ser publicado ou não.

Um projeto demora em média de 2 a 3 anos para ser executado por completo. Os projetos muitas vezes têm tempo de validade porque as agências financiadoras exigem relatórios com resultados e os pesquisadores entram em uma correria contra o tempo tentando obter resultados. Eu geralmente estou trabalhando em 4-5 projetos ao mesmo tempo em colaboração com outros astrônomos. Tenho também uma estudante de doutorado que recém começou a fazer tese de doutorado comigo.  



Escrito por duilia às 22h51
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Já percebi que tenho vários tipos de leitores:

aquele que entra frequentemente e sempre deixa um comentário, nem que seja só um oizinho,

aquele que entra aqui e sai logo correndo porque achava que eu era astróloga ou atriz,

aquele que volta todo dia e fica com raiva que eu não escrevi nada novo mas não reclama,

aquele que entra aqui uma vez, deixa um recadinho enorme, cheio de elogios e depois desaparece,

aquele que entra aqui, entra mudo e sai calado,

aquele que entra aqui querendo aprender tudo de astronomia mas só fica sabendo fofoca,

aquele que entra aqui querendo saber fofoca e não quer saber nada de astronomia,

os familiares e amigos que querem me prestigiar e que usam o espaço para matar as saudades.

Se você é um destes e nunca deixou um recadinho com o seu email, ou contato, e que gostaria de manter a Mulher das Estrelas entre os seus blogs favoritos, sugiro deixar um recadinho o mais rápido possível porque estou pensando em tirar o blog da UOL e qdo fizer isto eu vou mandar emails comunicando o novo endereço. O pessoal do Clube Mulher das Estrelas deve marcar também um chat um dia destes para matarmos as saudades e vc será comunicado via email também. Então, deixa um recadinho, vai? Se vc é paranóico(a) e  não fornece email por causa de spam, pode me mandar um email duilia@yahoo.com eu já recebo um milhão de spans mesmo, um milhão e meio não vai fazer diferença...

E para encher linguiça vou colocar uma foto que o Tommy alterou com o photoshop. Eu estou sentada na cápsula da Gemini no Kennedy Space Center, o resto é tudo imaginação do meu marido que também é maluquete como eu... ah, ele tinha colocado uma arma na minha mão, mas como sou anti-armas e violência, ele substituiu a arma pelo bouquê de flores...

Deu para entender porque nunca desejei ser astronauta? claustrofobia!



Escrito por duilia às 11h45
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Sinceramente nao sei o que aconteceu, mas o blog ficou fora do ar quase 24h. Nao sei se foi capivarada minha ou da UOL. Estou pensando em mudar de provedor, talvez o blogspot, mas tenho medo de perder os meus leitores que jah se acostumaram com este endereco.

Escrito por duilia às 10h19
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Pessoas marcantes II: Zasov, um russo na América!

Continuando a série de pessoas marcantes que conheci pelo mundo afora, vou incluir um texto do livro que escrevi sobre um astrônomo que não vejo há muitos anos, mas que morro de saudades.

  

O lado internacional da astronomia sempre me fascinou e tenho amigos por toda parte. Um dos meus favoritos é um astrônomo russo que conheci em 1989 nos EUA quando fui participar da minha primeira conferência internacional. Outro dia quando estava contando mais uma história do Zasov para o Tommy ele sugeriu que eu deveria incluir um capítulo sobre o Zasov neste livro... Pois bem, prepare-se porque você vai ser apresentado ao Anatoly Zasov e sua vida nunca será mais a mesma. Estou sendo meio dramática, mas eu sou assim, certas pessoas que conheço mudam a minha vida...

Esta viagem em 1989 foi muito especial. Foi a primeira vez que fui ao exterior e fui parar em Tuscaloosa, no Alabama, onde retornei um ano depois para fazer doutorado. Nesta época a Rússia fazia parte da União Soviética e ainda era fechada para o mundo ocidental, mas devido ao bom contato dos astrônomos do Alabama com os russos, uma delegação de 12 astrônomos veio participar da conferência. O Zasov era o meu favorito. Um senhor de meia-idade, curioso, falante e super simpático. Ficamos amigos e 1 ano e meio depois nos revemos no Alabama. Eu já era estudante e ele veio passar três meses visitando o meu orientador.

Todo dinheiro que ele ganhava da universidade ele queria economizar ao máximo para levar algum de volta para a União Soviética. Mas eu tive que ensiná-lo algumas regras básicas de economia para que ele não gastasse mais do que ele precisava. As vezes íamos ao supermercado juntos e isto era uma aventura para ele acostumado com a escassez na Rússia. Uma vez notei que ele simplesmente pegava o primeiro produto que ele via na sua frente sem verificar os preços. Supermercados nos EUA tem uma variedade enorme de produtos. Na sessão de enlatados tinha uns 10 tipos de molho de tomate e notei que ele estava comprando o mais caro. Havia molhos por metade de preço. Mas o professor que entendia como ninguém o processo de formação de galáxias não entendia o conceito de marca e a regra número um do consumidor: preço baixo.

Uma das minhas histórias favoritas sobre o Zasov parece piada, mas é verdadeira. Um dia ao passar na sala dele pela manhã notei que ele não estava, o que era raro. Fiquei preocupada, perguntei para os professores mas ninguém sabia dele. Algumas horas mais tarde encontrei com ele no corredor e ele estava todo sorridente. Perguntei o que havia passado e ele disse: estive no carro da polícia, com um baita sorriso no rosto.

Ele explicou que estava fazendo jogging no campus e que havia entrado por um portão achando que ainda era parte do campus, ao tentar sair pelo mesmo portão, o guarda o parou e perguntou aonde ele estava pensando que iria. Ele muito simplório disse que iria continuar a correr até a casa dele. O guarda pediu identificação, ele não tinha, o guarda chamou o carro da segurança que o levou para verificação. O tal portão que ele tinha entrado era do hospital de doentes mentais que ficava na periferia do campus. Quando pediram para ele se identificar, ele disse que era um cientista russo. A estas alturas os guardas acharam que ele era apenas um dos doentes do hospital querendo fugir.

Ele só foi liberado depois que eles ligaram para o departamento de Física e Astronomia e perguntaram se eles conheciam algum Anatoli Zasov. Já acostumada com as peripécias do professor Zasov, a secretária disse que sim e ele foi liberado. Para ele o mais interessente foi a carona no carro da polícia, ele ainda notou que a porta de trás do carro não tinha maçanetas e que não podia ser aberta por dentro.

Apesar do Zasov parecer português de anedota, ou melhor, russo de anedota, ele é um grande cientista. Ele estuda as propriedades físicas de galáxias e analisa o meio ambiente onde elas residem.



Escrito por duilia às 13h05
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Nublou...

Éramos uns 20 astrônomos na festinha de aniversário de 2 anos da Júlia, filha de dois astrônomos do Hubble. Estávamos ansiosos para ver o eclipse mas já sabíamos que as nuvens que chegaram no meio da tarde provavelmente iriam estragar o eclipse, mas não a festa. Dito e feito, não dava para ver a Lua, mas a festinha tava ótima! Toda hora ia um lá fora procurar a Lua e voltava com cara de tristeza, mas logo logo a Julia fazia alguma gracinha e esquecíamos do eclipse. Mas o que me deixou irritada foi que acordei as 4 h da manhã e olhei pela janela e estava uma baita Lua cheia e um céu limpinho... Vida de observador é mesmo assim, não temos controle das nuvens, por isto que gosto de observar com satélites que estão acima da camada atmosférica e isentos destes detalhes meteorólogicos...

Já comecei a receber as fotos do Brasil, aqui vai uma sequência do leitor assíduo, Ivan Luís. Quem não viu pode entender porque eu fiz tanta propaganda do eclipse...

Reparem como a cor da lua ficou avermelhada! sabem o por que? porque a luz do Sol entra pela atmosfera terrestre que bloqueia o azul e deixa passar a cor vermelha. Ou seja, a sombra da Terra eh que eh avermelhada! Se ainda nao entendeu, este desenho que tirei da pagina do Mr Eclipse vai ajudar.

 



Escrito por duilia às 10h59
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Dia de Eclipse da Lua

Hoje tem eclipse da Lua. Não percam, vale a pena, é bonito, é romântico, é muito interessante! eu me lembro até hoje do meu primeiro eclipse lunar no início dos anos 80. A lua foi ficando rosada e seu brilho diminuindo, lindo, lindo. Vou tentar ver daqui de Baltimore, mas tenho uma festinha de aniversário bem naquela hora... No Brasil o início será as 18h30 e a totalidade será às 20h20, terminando às 22h12.

O fenômeno de eclipse é relativamente simples de se calcular, basta saber como equacionar a órbita da Terra e da Lua e calcular quando os três astros se alinham. No eclipse do Sol, a Lua se posiciona entre o Sol e a Terra. Eclipses lunares ocorrem quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua e a sombra da Terra obscurece a Lua. Considerando que as órbitas são inclinadas, acontecem também eclipses parciais onde apenas parte do astro é coberta. O desenho abaixo ilustra bem o fenômeno, o Sol é o objeto central, a Terra é o objeto maior que orbita ao redor do Sol e a Lua é o objeto menor. A cor cinza se refere à sombra da Terra e da Lua. Hoje é Lua Cheia, Eclipse lunar (Full Moon Lunar Eclipse).

 



Escrito por duilia às 12h49
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Pessoas interessantes

Vou começar a postar uma série de textos que escrevi no livro sobre várias pessoas que já encontrei pela vida a fora. Algumas delas viraram meus amigos e outras nunca mais vi, mas todas merecem uma notinha por serem PESSOAS INTERESSANTES!

Baltimore é cheia de surpresas e pessoas peculiares. Uma das minhas figuras favoritas é o Astrônomo de rua (The street astronomer) que sempre monta o telescópio em lugares turísticos e cobra 1 dólar por uma olhadinha. Ele geralmente aponta para um dos planetas ou a Lua, dependendo de qual objeto esteja visível naquela hora. Depois da olhadinha, que dura alguns segundos, o observador ganha um pedacinho de papel dizendo “Eu vi Júpiter!”. Quando minha prima, Júlia, esteve em Baltimore há quase dez anos atrás nos visitando encontramos com o Astrônomo de rua apontando o telescópio para Saturno na saída de um restaurante. Júlia não conseguiu resistir e entrou na fila. E nós resolvemos dar uma olhadinha também (éramos 3 astrônomos profissionais no grupo de 6). Mas quando ele começou a dar detalhes sobre Saturno não pude ficar calada e disse que éramos astrônomos e trabalhávamos no instituto do telescópio espacial. Ele ficou surpreso, deu um sorriso e disse que não iria cobrar para olharmos no telescópio. Me senti meio envergonhada com a oferta afinal ele ganhava a vida nas ruas de Baltimore, mas ele insistiu que não cobrava de “colegas de trabalho”. Fiquei pensando nos músicos que ganham a vida tocando nas ruas pelo mundo afora e nos músicos profissionais que passam pelas calçadas escutando suas músicas. Será que eles dão gorjeta?

 



Escrito por duilia às 20h02
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De molho em casa...

Mais um fim de semana e acabei não fazendo nada do que tinha planejado. Na sexta-feira à noite fiquei doente, trouxe mais um vírus da Europa...  e só melhorei agora, domingo à tardinha. Nevou o dia inteiro e lá fora tá tudo branco e congelado. Nem penso em sair de casa apesar de estar um pouco claustrofóbica depois de 48 horas sem pisar lá fora. Mas hoje à noite tem Oscars e vou me contentar em ficar vendo televisão. Meu querido marido tomou conta de mim direitinho e alugou vários filmes, até me deu de presente o Star Wars, Retorno de Jedi. Com certeza vou ter overdose de televisão... e se o tempo não melhorar, amanhã ficarei de molho novamente.

Escrito por duilia às 19h57
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Depois de 4 dias na Holanda curtindo a ventania, e como venta naquele país, voltei para Baltimore. Fiquei super impressionada com a sede da Agência Espacial Européia (ESA) em Noordwijk. O lugar é uma graça e fiz até um tour nos laboratórios aonde se constrói os satélites europeus. Infelizmente esqueci de levar a câmera fotográfica... Fiquei também sabendo um pouco mais sobre o satélite Herschel que será lançado no ano que vem. O workshop sobre o Herschel foi um sucesso, éramos 300 astrônomos de todas as partes do mundo planejando futuros projetos para utilizar o detectores infravermelhos do Herschel.

Ainda estou grogue porque já estava me acostumando com o fuso horário europeu. Agora vai demorar mais uns 5 dias até eu me acostumar com o ritmo daqui novamente. Hoje fui à NASA porque tinha uma reunião que não dava para faltar, mas deu vontade de ficar dormindo o dia todo. Um saco esta história de ter fome e sono na hora errada, sei que como astrônoma deveria estar acostumada a trocar o dia pela noite, mas nunca fui muito boa nisto. Sempre me senti uma zumbi nas montanhas depois de observar a noite toda.  

Já percebi que depois que o blog saiu da lista dos blogs legais meus leitores me abandonaram.... ou será que foi o carnaval?



Escrito por duilia às 22h06
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